O encerramento do Seminário “Justiça Restaurativa na Educação e na Ambiência Institucional” transformou o plenário do TJMT em um espaço de reconhecimento e emoção, onde 21 instrutores responsáveis por conduzir círculos de maior complexidade foram homenageados com moções de aplausos, em uma celebração marcada pela força da educação, da escuta e das histórias que moldam vidas.
Para o assessor de Relações Institucionais do Nugjur, Rauny José da Silva Viana, a homenagem simboliza a consolidação de um ciclo importante dentro da política de Justiça Restaurativa do Tribunal. Ele explica que a metodologia aplicada no TJMT é estruturada em módulos, que evoluem conforme o facilitador avança na trilha formativa. “Primeiro formamos para atuar em círculos de diálogo sem conflito. Depois, avançamos para casos de menor complexidade. A partir daí, chegamos ao nível máximo, quando o profissional se torna apto a conduzir círculos de maior complexidade”, detalha.
Segundo ele, até 2023 o Judiciário formava apenas facilitadores dos módulos iniciais. Com o novo avanço, os instrutores agora estão aptos a formar turmas tanto no início quanto na fase mais avançada da metodologia. “Os instrutores do Poder Judiciário estão preparados para ensinar a Justiça Restaurativa de forma completa para toda a sociedade, desde círculos sem consenso até os círculos processuais, onde existe um conflito direto entre pessoas”, afirma.
Rauny acrescenta que a certificação entregue nesta sexta-feira encerra o sétimo e último módulo da trilha formativa. “Antes, formávamos apenas nos quatro primeiros. Agora estamos balizados para formar o aluno no programa completo”, conclui.
Impacto nas escolas e fortalecimento de vínculos
Entre os instrutores homenageados está Janaína Irma de Oliveira, professora da Seduc em Colíder, que atua no Fórum da região por meio de cooperação com o TJMT. Formada como instrutora pelo Tribunal, ela explica que agora está apta a preparar facilitadores para os módulos mais complexos, voltados à mediação de conflitos. “Nós estudamos para formar quem vai atuar nos conflitos, quando existe uma situação entre duas pessoas e é preciso construir um caminho de resolução entre elas”, explica.
Janaína destaca o impacto das práticas restaurativas no cotidiano das escolas. Para ela, os círculos permitem que participantes, entre estudantes, professores, pais e profissionais, vivam um verdadeiro encontro consigo mesmos. “É uma possibilidade real de fala. Lembro de um estudante autista que, durante o círculo, conseguiu expressar como se sentia excluído. Ele contou sua trajetória, e a turma pôde acolhê-lo”, relata.
Segundo a instrutora, as práticas fortalecem vínculos, promovem escuta ativa e ensinam respeito ao tempo de fala. “No círculo, quem está com o objeto da palavra sabe que não será interrompido. A gente fala de coração e escuta de coração. O objetivo é formar relacionamentos saudáveis, em que cada um entrega o seu melhor”, finaliza.
Um reencontro que virou homenagem
O momento mais emocionante do encerramento foi protagonizado por Veronice do Nascimento, que também recebeu a moção de aplausos. Durante o encerramento do Seminário ela reencontrou, sem esperar, sua professora do Ensino Médio, Thaísa Rosales, que marcou profundamente sua trajetória.

“Vim aqui para contar a história da minha professora, e hoje me sinto muito honrada com a presença dela. Estudei a vida inteira em escola da zona rural, em condições difíceis. Ao longo da vida, encontrei pessoas que me acolheram e me contaram histórias, gestos que me mostravam que era possível sonhar.
Quando terminei o Ensino Médio e quis fazer faculdade, disse para minha mãe que não precisava pagar, porque eu via pessoas trabalhando durante o dia e correndo atrás dos sonhos à noite.
Hoje encontrei aqui a minha professora Thaísa. Quero te honrar por tudo o que você representou. Ver vocês se formando me lembra da força de cura e de ressignificação que existe na educação. Se eu sou a profissional que sou hoje, você é corresponsável por isso. E fico feliz também porque hoje você descobriu de forma teórica o que você fez e faz na prática, e que tenho certeza que não mudou durante a sua vida toda, que é contar, escutar e acolher. Muito obrigada.”
Os homenageados foram:
Ana Claudia Amorim Lima
Ana Teresa Pereira Meira
Claudete Pinheiro da Silva de Almeida
Ildenes Rocio Ribas Reis
Janaina Irma de Oliveira
José Nivaldo de Lima
Juliany Santos Ferreira Otano
Kely Cristina do Valle Borges Ornellas de Almeida Moreira
Laura Maria Coelho Lannes de Toledo Barros
Leonísio Salles de Abreu Júnior
Louredir Rodrigues Benevides
Maria Eterna Pereira da Silva
Marina Soares Vital Borges
Rauny Jose da Silva Viana
Rogeria Borges Ferreira
Sandra Maria da Costa Felix
Silvia Regina Lomberti Melhorança
Ubiracy Nogueira Felix
Thais Cunha Savioli
Veronice do Nascimento
Widney Maycon de Lima Alves
Autor: Roberta Penha
Fotografo: Willian Kanashiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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